Coisas do tempo da vovó – Carne de lata


Hoje está tão na moda falar em confit mas acabamos nos esquecendo que essa moda é antiga…
Quem passou a infância visitando os avós em fazendas sabe o que eu estou falando.
Se lembram daquelas latas enormes cheias de banha de porco e pedaços de carne que eram comum em todas as fazendas?

Aquela carne feia e recoberta de banha já era o confit…

Confitar nada mais é do que cozinhar carnes – aves, porco, boi, bacalhau- e até legumes ou frutas, na própria gordura ou acrescentando banha ou óleo, bem lentamente e em fogo baixíssimo.
Este método, além de deixar a carne muito macia, ajuda a conservar o alimento por meses, sem precisar de refrigeração. Por isso era tão usado em fazendas que não tinham energia elétrica.

Hoje temos refrigeração mas também temos bom gosto… e a arte de confitar está reinando novamente.

Que me desculpem os naturebas e os amantes da comida light mas uma carne feita na banha tem um sabor ímpar.
Ah… e é essencial para ajudar a manter meu corpinho em forma de foca.

Amanhã os homens da família (maridão amado e irmãos) chegam da pescaria e vou fazer uma feijoada para reunir a turma e aguardar a chegada de um freezer cheio de pintado, cachara e jaú.
De entrada preparei almôndegas e costelinhas de porco confitadas, ou melhor, carnes de lata.

Para a almôndega eu usei:

2 k de patinho limpo moído 2 vezes
2 colheres, das de sobremesa, de tempero mineiro
2 pimentas cumari moídas
miolo de 3 pães (francês) demolhados em 50 ml de leite
1 colher, das de sopa, bem cheia de alho triturado
50 ml de azeite

Aí é só misturar tudo, esperar 1 hora e modelar as almôndegas.

A costelinha é fácil:

2 k de costelinhas de porco desossada
2 colheres, das de sobremesa, de tempero mineiro
1 colher, das de sopa, bem cheia de alho triturado
50 ml de azeite

Tempere a costelinha e deixe descansar por 1 hora.

Eu usei banha industrializada. Comprei 2 k de banha Sadia.

Aí é só derreter a banha, sempre em fogo muito baixo.

A carne deve ser colocada na banha ainda fria e ser cozida lentamente.
Eu usei o fogão de indução pois com ele é bem mais fácil controlar a temperatura. Mas você pode usar uma chapa de ferro entre a chama e a panela que também dá muito certo.

As almôndegas ficaram prontas em 2 horas e a costelinha em 3 horas.
Uma dica importante: a água que se solta da carne deve secar completamente, restanto somente a gordura.

Como eu vou consumir as carnes amanhã já deixei elas mais douradas mas, o ideal é que elas fiquem apenas cozidas. Deste modo você pode armazenar em vidros esterilizados ou latas, cobertos totalmente pela gordura, por até 1 ano, em local escuro e fresco.
Quando você quiser é só tirar uma porção e aquecer, na própria gordura, até a carne ficar dourada.
Mas o ideal messssssssssssssmo é que a carne seja consumida no mínimo 1 semana após ser preparada. Cada dia que passa ela fica mais saborosa e suculenta.

E viva o HDL…. hahahahahaha

17 comentário para “Coisas do tempo da vovó – Carne de lata

  1. Cheguei ao seu blog, através do delicioso "Cozinha Travessa" não sou fã de cozinhar, confesso, mas já que tenho, então procuro fazer coisitas saborosas…Essa carne, me levou pra uma infância na casa da minha avó, em MG. Eu na minha singela inocência, achei que só minha avó fazia. Boa recordação, apesar de na época ser meio fresquinha em relação a aparência da tal carne!

    parabéns pelo blog.

  2. Olá Kris adorei seu comentários. Lá em Minas tem essa carne de porco na lata para vender, até encontrei o site da empresa http://www.carnenalata.com.br , é igualzinha a que a minha vozinha fazia. vale a pena experimentar. Não tem corpo magrinho que dê mais prazer que uma comida saborosa. Parabéns pelo Blog.

    Paula Mata

  3. Kris,
    Estou conhecendo seu blog, através do Cozinha Travessa. Não poderia nunca deixar de comentar esse post. Cresci tb pelas fazendas de Minas, vendo avós e bisavós prepararem essas carnes. Confesso que qdo éramos pequenas, eu e minhas irmãs não dávamos o merecido valor a essas delícias! Mas hoje em dia, sempre que vou a Uberlândia, minha vó ou minha mãe, preparam as famosas "Carnes de Bola", que nada mais são, que pedaços grandes de pernil, recheadas com o próprio pernil moído e temperado e feitas na banha. A única coisa que mudou, foi a lata. Adaptamos para uma Tupperware bem grandona, para que eu possa transportar sem derramar nada. Hoje em dia, meu filho de 10 anos ama comer a Carne de Bola. Com uma farinhazinha de biju então…
    Querida, foi um grande prazer conhecer seu blog. Moro fora de Udi a bastante tempo e como já falei pra Dani,esses blogs da minha terrinha, são uma maneira deliciosa de estar mais perto dos meus costumes, da forma como fui criada, do meu povo. Vcs não fazem idéia do qto isso é importante pra mim!
    Um grande beijo e tenha certeza que de hoje em diante estarei passando sempre por aqui!

  4. ola amiga, ah tempo que eu quero fazer dessa carne em lata aqui em casa viu, mas tenho medo de nao dar conta, mas agora vi que é muito facil acho que agora vou tentar. Huummmmmm é uma delicia mesmo. bjs

  5. Eu e meu marido temos uma petiscaria e essas iguarias de carne de porco não podem faltar no cardápio. Além do mais, a carne na lata era uma comida tropeira e o nosso estabelecimento chama-se Parada Tropeira, onde nós estamos tentando resgatar a cultura tropeira em nossa cidade, que é São Bento do Sapucaí/SP.

  6. SEM ESQUECER DE QUE A CARNE TEM QUE FICAR TODA COBERTA COM GORDURA,OLEO OU BANHA PARA QUE NAO PERCA. SE FICAR UMA PONTINHA DE CARNE DE FORA QUE SEJA ,JA ERA…

    CARLEY FRAGA.
    DIVINOPOLIS.MG.

  7. Viu é verdade que foi os mineiros que colonizaram a alemanhã, a Italia,Portugal e outros países do velho mundo? por que não sou mineiro e me criei comendo essas comidas que hoje vcs querem dizer q é mineira que foram trazidas pelos italianos alemães Portugieses Espanhóis entran na net e digita pra vc ver q vai encontrar no mundo inteiro esses mineiros são bons mesmos colonizaram a Italia e ensinaram a fazer a carne de lata ou na banha… hehehehhe é mto ridiculo td isso querando o mérito de td até a galinha caipira com pirão q é nordestina sou bahiano e tbm me criei comendo pirão com galinha caipira galinhada e tals

  8. Sabe o que eu penso, anônimo? Que eu devo te incomodar MUITO, não é mesmo? Eu devo ser muito mais do que você gostaria que eu fosse, né? Anos se passaram e você não me esquece!
    Porque você se esconde no anonimato se eu sei perfeitamente quem é você?
    Tsc tsc tsc… Você continua feio, bobo e muito mimadinho….

    Sou mineira, como carne na banha desde que me entendo por gente e não foram os mineiros, ou os italianos, ou os espanhóis, ou os portugueses que criaram essa receita, foi a necessidade de manter as carnes por muito tempo fora da refrigeração. Se mesmo com a chegada da energia elétrica esse costume se perpetuou aqui em Minas e se tornou um prato típico, eu só tenho a agradecer!

    Ah! E aqui em Minas não comemos galinha com pirão…. Só com açafrão da terra. No seu nordeste também é assim?

    Vou te dar uma dica: se te faço tão mal, esqueça que eu existo!

    Ah! E volto a te dar um conselho que já te dei antes: você pode até conhecer o mundo todo e conhecer várias línguas mas seu português escrito é PÉSSIMO!!!!! Largue os livros de culinária e vá estudar um pouquinho a nossa escrita! ;-p

  9. Nada demais sair do light de vez em quando,
    Este menu não mata ,ao contrário nossos antepassados é que
    passaram muito bem, E não podemos esquecer 🙂 , nossas raízes
    falam por sí só .
    ADOROOO ESTAS RECEITAS QUE NA VERDADE ME FAZEM LEMBRAR DE ONDE VIM.
    OBRIGADO GENTE,
    Muita Paz e Bom Apetite.
    Vania Alves
    Juatuba MG

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *